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Às vezes “matamos a cabeça” para arranjar pratos diferentes e a resposta pode ser bem simples. Quando me faltam ideias… I go back to basic. E isso implica recorrer a alguns “mimos” muito simples e que por vezes nem nos lembramos. Até mesmo aquelas receitas tradicionais portuguesas. Basta substituir ingredientes e já está!

Quem me conhece, sabe bem que não sou pessoa de passar horas na cozinha. Digamos que tenho outras prioridades, pelo que gosto de coisas fáceis e simples, mas saudáveis e saborosas. E sobretudo não gosto de desperdício. De tempo. De recursos. E de ingredientes. Posto isto, ao longo dos anos, com muitas tentativas e erros pelo meio, acumulei algumas receitas das quais gosto e às quais recorro com alguma regularidade. Este livro resulta da junção de um conjunto de retalhos que tenho espalhados em papelinhos por entre páginas de velhos livros de receitas obsoletos. A maioria das receitas são transformações de outras receitas, elas também já transformações de outras tantas. É uma espécie de sabedoria que nos passamos uns aos outros com toques pessoais de criatividade.

Não tenho pretensões de me colocar à altura de grandes Chefs, ou de outros nomes sonantes do mundo da culinária, nem tão pouco de apresentar nenhuma verdade absoluta.

Quer seja o seu objectivo mudar os seus hábitos alimentares, quer seja apenas fazer de vez em quando uma refeição saudável, então este livro é para si. E é de coração.

Quis apresentar uma alternativa vegan, sem glúten e sem açúcar. Talvez demasiado radical para alguns. Cada um é livre de optar pelo que melhor lhe convém, sendo certo que não há muitas ofertas para quem quer seguir um regime vegan. Há ainda quem, por questões de saúde, não possa consumir glúten. E por fim, nunca é demais relembrar que o açúcar é absolutamente dispensável.

Vamos por partes.

Porquê vegano?

O veganismo é uma forma de estar na vida que visa excluir, na medida do possível e praticável, qualquer forma de exploração de, ou crueldade sobre, animais para comida, vestuário ou qualquer outro propósito. (tradução livre da Vegan Society)

Para muitos veganos, a exploração e crueldade sobre os animais foi um factor essencial na tomada de decisão de tornar-se vegano.

Há ainda quem opte por esta forma de estar na vida por questões ambientais. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura prevê que a produção de carne vai duplicar até 2050, caso o consumo e desperdício de produtos de origem animal continue a aumentar a este ritmo. Uma tendência que tem contribuído para o aquecimento global, o aumento da poluição, a desflorestação, a degradação dos solos, a escassez de água e a extinção de algumas espécies. Para além de reduzir o uso do carro, limitar a quantidade de água gasta, tornar-nos mais energeticamente eficientes e tentar ter um menor impacto ambiental, as nações unidas apelam a que se ganhe mais consciência daquilo que comemos.

E depois há ainda quem opte pela dieta vegana por razões de saúde. A Organização Mundial de Saúde aponta as gorduras saturadas da carne, do leite, dos ovos e das carnes processadas como estando na origem de algumas doenças, nomeadamente o cancro. Dizem os especialistas que uma dieta vegana bem planeada contém todos os nutrientes que o corpo precisa. Os estudos indicam que o regime vegano está associada a baixos níveis de colesterol e tensão baixa, assim como a uma diminuição de problemas cardíacos e ainda a diminuição de diabetes do tipo 2. A British Dietetic Association e a American Academy of Nutrition and Dietetics já vieram ainda reconhecer que o regime vegano é indicado para qualquer idade ou fases da vida.

Ainda assim, aconselho vivamente que consulte um profissional de saúde caso queira fazer esta transição. Sendo certo que este livro não pretende substituir-se a qualquer plano alimentar feito por um profissional, nem tão pouco tem pretensão de servir de base a um plano alimentar. São apenas sugestões de receitas que pode integrar no seu dia-a-dia.

 

Porquê sem glúten?

Há 10 mil anos estávamos todos numa dieta sem glúten. Mas graças ao cultivo das terras, a humanidade ganhou tempo para desenvolver a tecnologia e a cultura. E ganhamos também pães mais macios graças ao glúten.

Mas o glúten é a única proteína que o nosso corpo não consegue decompor e transformar em aminoácidos.

Ora no corpo de um celíaco, a presença do glúten faz o sistema imunitário acreditar que está a ser atacado por micróbios e surgem vários efeitos colaterais. Esta doença afecta cerca de 1% das pessoas do mundo desenvolvido. Um dado que não justifica o aumento da popularidade da dieta sem glúten. Mas há ainda quem seja alérgico ou intolerante, quadros clínicos nos quais não se encaixa um doente celíaco. E há ainda uma minoria que opta por uma dieta sem glúten para ter um estilo de vida saudável, porque acredita sentir-se melhor sem glúten.

O médico italiano Alessio Fasano, diretor do Centro de Pesquisas Celíacas nos Estados Unidos, e co-autor do livro Gluten Freedom (co-escrito com Susie Flaherty), diz que comer glúten não oferece risco a pessoas fora do espectro dos transtornos ligados ao glúten – e a maior parte dos especialistas concorda com ele.

No meu caso pessoal, evito glúten na minha dieta porque sou intolerante. Não quer dizer que não abra excepções, sabendo de antemão que a minha sensibilidade ao glúten vai trazer consequências. Ora não somos todos feitos do mesmo. É conveniente ir fazendo experiências e ver o que é certo para si. Como em tudo na vida, traga consciência ao que está a fazer e veja as consequências. Se não forem benéficas, elimine. Mas elimine com a intenção de ser bom para si e não como uma regra que se impõe firmemente. Esta intenção fará toda a diferença.

 

Porquê sem açúcar?

O açúcar é completamente vazio a nível de proteínas, minerais e vitaminas. Nutricionalmente não nos aporta nada.

O açúcar contribui mesmo para a aparição de gastrites e úlceras, para a descalcificação dos ossos e dentes, para lesões arteriais e tem ainda efeitos negativos no sistema nervoso parassimpático e no sistema cardiovascular. Como é sabido, o açúcar é ainda a principal causa da diabetes, mas também para a hipoglicemia, já que a sacarose cria um círculo vicioso de hipoglicemia. Além de que diminui as defesas do organismo e neutraliza o trabalho imunitário dos nossos glóbulos brancos.

De acordo com a Direcção Geral de Saúde, os dados relativos a 2014 indicam que os hábitos alimentares inadequados – onde entra o consumo de açúcar e de sal – continuam a ser dos principais responsáveis pela perda de anos saudáveis entre os portugueses. Mais do que o tabaco ou os acidentes de viação, por exemplo.

Ora mesmo assim, o consumo médio na Europa é de cerca de 50 quilos de açúcar por pessoa por ano e a produção mundial ultrapassa os 50 milhões de toneladas por ano.

E porquê? Porque é doce, é bom e sobretudo, é uma substância aditiva. E por ser aditiva, é colocada em vários produtos desde o pão a produtos processados que vêm em pacotes. E nem sempre vem identificado no rótulo como “açúcar”. Terá de estar atento a palavras como glícidos, dextrose, maltose, frutose, xarope de milho…

Enfim, o melhor mesmo é optar por produtos que não têm rótulo, nem lista de ingredientes, que vêm directamente da terra ou do mar. Sempre que possível e praticável. Sem extremismos ou imposições. Lembre-se: faça o que fizer, escolha o que escolher fazer, faça-o sempre em consciência e de coração.

Bom apetite!

Barbara Guevara